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Guarulhos será o primeiro aeroporto do Brasil a receber sistema antidrones

Torre de radar ao lado de um avião contra o céu azul, representando o monitoramento do espaço aéreo.

O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, será o primeiro terminal aeroportuário do Brasil contemplado por diretrizes específicas para a implantação de um sistema antidrones. A iniciativa foi divulgada em 11 de setembro de 2026 pelo Ministério de Portos e Aeroportos, que posteriormente atualizou a página oficial em 23 de setembro, mantendo a data original da publicação.

O projeto ainda está na fase de implantação das diretrizes e não significa que os equipamentos já estejam integralmente instalados ou em funcionamento no aeroporto. A proposta estabelece requisitos para que a concessionária responsável pelo terminal adquira, instale e opere uma estrutura capaz de detectar, monitorar, mitigar e, quando necessário, neutralizar drones que representem risco às operações aéreas.

Como funcionará a implantação em Guarulhos

A definição do modelo envolverá diferentes órgãos públicos ligados à aviação civil, à segurança e às telecomunicações. A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA), a Polícia Federal, a Receita Federal e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) participarão da coordenação da iniciativa, cada uma dentro de suas atribuições institucionais.

Os equipamentos empregados no sistema deverão ser homologados pela Anatel. O DECEA terá participação na definição das áreas de proteção e dos procedimentos relacionados a uma eventual suspensão e posterior retomada das operações aéreas. Essa coordenação busca estabelecer uma resposta organizada para situações em que a presença de um drone possa afetar pousos, decolagens ou outras atividades realizadas no espaço aéreo próximo ao aeroporto.

De acordo com o ministério, a escolha de Guarulhos está ligada à relevância do aeroporto para a malha aérea nacional e ao histórico de ocorrências envolvendo drones nas proximidades do terminal. O aeroporto é tratado como um projeto de referência, mas a divulgação oficial não informa uma data para a conclusão da instalação nem apresenta estimativa de custo ou quantidade de equipamentos.

Projeto poderá orientar outros aeroportos

Antes de uma possível expansão para outros terminais, a ANAC deverá realizar uma avaliação de risco e de custo-benefício. A análise poderá considerar fatores como a movimentação de passageiros e aeronaves, a importância estratégica da infraestrutura aeroportuária e as características do entorno de cada aeroporto.

Com isso, a experiência de Guarulhos poderá servir como base para decisões futuras sobre a adoção de sistemas semelhantes em outras regiões do país. A expansão, no entanto, dependerá da avaliação das condições específicas de cada terminal e dos critérios técnicos definidos pelos órgãos envolvidos. As diretrizes divulgadas não estabelecem que todos os aeroportos brasileiros receberão automaticamente a mesma solução.

Risco para pousos e decolagens

A operação irregular de drones nas proximidades de aeroportos pode interferir em uma área especialmente sensível da aviação: os procedimentos de aproximação, pouso e decolagem. Nessas fases, aeronaves comerciais seguem trajetórias e regras operacionais que exigem coordenação com os serviços de controle e proteção do espaço aéreo.

O sistema previsto para Guarulhos pretende ampliar a capacidade de identificação e resposta das autoridades e da administração aeroportuária diante de uma ocorrência. A neutralização, quando aplicável, deverá seguir procedimentos definidos pelos órgãos competentes, sem substituir a necessidade de coordenação operacional para suspender ou retomar voos.

A medida também se insere em um contexto de atualização das regras para aeronaves remotamente pilotadas. Em junho de 2026, a ANAC apresentou o RBAC nº 100, novo regulamento brasileiro para operações com drones. A existência de operações autorizadas, contudo, não elimina a necessidade de controle sobre voos irregulares em áreas aeroportuárias.

Responsabilidades e próximos passos

As diretrizes atribuem à concessionária de Guarulhos a responsabilidade pela aquisição, instalação e operação dos equipamentos, enquanto os órgãos públicos deverão participar da definição dos requisitos, das áreas de proteção e dos procedimentos de resposta. A homologação pela Anatel será necessária para os dispositivos utilizados no sistema.

O projeto representa uma mudança na forma de proteção da infraestrutura aeroportuária brasileira ao combinar tecnologia de detecção e monitoramento com protocolos institucionais de resposta. Por enquanto, a iniciativa está concentrada no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A efetiva ampliação para outros terminais dependerá dos resultados da avaliação de risco e custo-benefício e das decisões posteriores das autoridades responsáveis.