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Entidades da aviação pedem regras europeias para biometria voluntária em viagens

Passageiros passam por uma área de controle de segurança em um terminal aeroportuário.

Uma coalizão formada por entidades da aviação e empresas de tecnologia defende que a União Europeia estabeleça regras para permitir o uso voluntário e seguro de dados biométricos em viagens aéreas. A iniciativa reúne ACI Europe, Amadeus, IATA, IDEMIA Public Security e SITA e foi anunciada em 1º de outubro de 2026, em meio ao debate europeu sobre o chamado Digital Omnibus.

O grupo argumenta que a identificação biométrica pode reduzir a repetição de verificações de documentos ao longo da jornada do passageiro. A expectativa é que recursos como reconhecimento facial e outras formas de autenticação permitam tornar mais fluido o deslocamento por aeroportos, desde o acesso a áreas controladas até etapas relacionadas ao embarque, sempre conforme as regras aplicáveis.

Segundo a IATA, a proposta da coalizão está associada à necessidade de atualizar o ambiente regulatório digital europeu. O objetivo declarado é criar condições para que soluções de biometria sejam utilizadas de maneira segura e integrada, sem transformar a tecnologia em uma exigência geral para quem viaja.

Uso voluntário é ponto central da proposta

Um dos principais pontos defendidos pelas organizações é a voluntariedade. Passageiros que optarem por não utilizar sistemas biométricos deverão continuar tendo acesso a alternativas não biométricas para cumprir os procedimentos aeroportuários. A medida busca conciliar ganhos operacionais com o direito de cada viajante de escolher como será identificado durante a viagem.

Essa condição também responde a uma das questões mais sensíveis do debate: a forma como os dados pessoais serão tratados. A coalizão destaca a importância de manter salvaguardas relacionadas à privacidade, à proteção de informações e à segurança cibernética. Na prática, a adoção de ferramentas biométricas dependerá de regras capazes de definir responsabilidades e limites para aeroportos, companhias aéreas, fornecedores de tecnologia e demais participantes da jornada.

A discussão ocorre em um cenário no qual os terminais precisam lidar com grandes volumes de passageiros e múltiplas etapas de conferência. Ao permitir que uma identificação já realizada seja reconhecida em diferentes pontos do percurso, a biometria pode diminuir procedimentos repetidos e contribuir para um fluxo mais organizado. A proposta, entretanto, não elimina a necessidade de controles: ela pretende modificar a maneira como essas verificações são executadas.

Impacto esperado para aeroportos e companhias aéreas

Para os aeroportos, a identificação biométrica pode representar uma alternativa para ampliar a capacidade operacional sem depender imediatamente de grandes expansões físicas. A tecnologia poderia ajudar a distribuir melhor os fluxos e reduzir pontos de atrito em momentos de maior movimento, desde que exista integração entre os sistemas utilizados pelas diferentes organizações.

As companhias aéreas também estão diretamente envolvidas nesse processo. A autenticação de passageiros precisa conversar com procedimentos de check-in, controle de acesso e embarque, além de respeitar as exigências de segurança e proteção de dados. Por isso, a coalizão reúne empresas especializadas em tecnologia e identidade digital ao lado de representantes da indústria aérea, sinalizando que a discussão envolve tanto infraestrutura quanto regulamentação.

De acordo com o pressroom oficial da IATA, o tema integra a agenda de transformação digital do transporte aéreo. A entidade tem apresentado a biometria como parte de uma jornada capaz de tornar os processos mais simples para os passageiros, mas a aplicação em larga escala depende de normas comuns e de confiança no tratamento das informações.

Regulação europeia pode influenciar a aviação internacional

O debate sobre o Digital Omnibus ganha relevância porque decisões regulatórias da União Europeia podem afetar empresas e passageiros que circulam por seus aeroportos, inclusive em rotas internacionais. Regras claras podem facilitar a adoção de soluções compatíveis entre diferentes terminais e reduzir incertezas para organizações que atuam em mais de um país.

Ao mesmo tempo, a experiência europeia tende a ser observada por outros mercados que avaliam a modernização dos procedimentos aeroportuários. A combinação entre consentimento, alternativas não biométricas, proteção de dados e segurança cibernética aparece como condição essencial para que a tecnologia avance sem comprometer direitos dos passageiros.

A coalizão ainda defende que a regulamentação permita o desenvolvimento dessas aplicações de forma responsável. O ponto central não é apenas acelerar o embarque, mas estabelecer uma jornada digital confiável, na qual o passageiro saiba quando a biometria será utilizada, possa escolher se deseja aderir ao recurso e encontre uma opção equivalente caso não queira fornecer seus dados biométricos.

Enquanto a União Europeia debate o formato das regras, aeroportos, companhias aéreas e fornecedores de tecnologia devem acompanhar os próximos passos do processo. A eventual adoção mais ampla da biometria dependerá da definição de padrões, da interoperabilidade entre sistemas e da capacidade de demonstrar que eficiência operacional e proteção da privacidade podem avançar em conjunto.