A preparação para uma viagem aérea não termina no bilhete, no check-in ou na passagem pelo controle de segurança. Para parte dos passageiros, o ambiente do terminal também pode exigir cuidados específicos, principalmente quando há sensibilidade a sons, iluminação, circulação de pessoas e mudanças constantes de espaço. É nesse ponto que a acessibilidade sensorial passa a integrar a experiência de embarque nos aeroportos brasileiros.
Novas estruturas de acolhimento foram implantadas nos aeroportos de Belém, no Pará, e Salvador, na Bahia. Com a ampliação, a iniciativa chega a 23 espaços distribuídos por 20 aeroportos do país. A informação foi divulgada em 8 de outubro de 2026 pelo Ministério de Portos e Aeroportos, responsável pelo anúncio.
Por que os espaços são importantes para o passageiro
Os terminais aeroportuários concentram estímulos que podem tornar o deslocamento mais difícil para pessoas neurodivergentes. Avisos sonoros, luminosidade, fluxo intenso de passageiros, filas e alterações na rotina fazem parte da operação cotidiana de um aeroporto. Para pessoas com transtorno do espectro autista, hipersensibilidade sensorial ou outras condições, esse conjunto pode provocar desconforto e dificultar a permanência no local.
As salas multissensoriais e os espaços de acolhimento são voltados justamente a esse momento da jornada. A proposta é oferecer uma alternativa de ambiente antes do embarque, permitindo que o passageiro tenha um local de acolhimento em meio à movimentação do terminal. A medida também considera acompanhantes e familiares que participam do deslocamento e podem precisar de um espaço mais adequado para organizar a passagem pelo aeroporto.
O avanço anunciado não representa apenas a criação de uma sala isolada dentro dos terminais. Ele indica uma mudança na forma de pensar a infraestrutura aeroportuária: além de ampliar capacidade, melhorar áreas de circulação ou incorporar tecnologias operacionais, os aeroportos também precisam considerar diferentes maneiras de perceber e vivenciar o ambiente.
Belém e Salvador ampliam a presença regional da iniciativa
A implantação de novas estruturas em Belém e Salvador amplia a distribuição geográfica da iniciativa. Belém é a capital do Pará e um dos principais pontos de conexão da Região Norte. Salvador, capital da Bahia, exerce papel relevante na circulação de passageiros pelo Nordeste. A presença de espaços de acolhimento nesses dois terminais reforça que a acessibilidade sensorial não deve ficar restrita a uma única região do país.
Ao alcançar 20 aeroportos, a iniciativa passa a fazer parte da experiência de passageiros em diferentes localidades brasileiras. O número informado pelo Ministério de Portos e Aeroportos reúne 23 espaços, o que significa que a oferta pode variar entre os terminais contemplados. A pauta divulgada, porém, não detalha a relação completa dos aeroportos nem apresenta informações sobre horários, critérios de uso ou necessidade de agendamento.
Informação também faz parte da acessibilidade
Para que a estrutura seja aproveitada, a comunicação com o passageiro é tão importante quanto a existência física das salas. Pessoas neurodivergentes e seus acompanhantes precisam saber se o aeroporto de origem ou de conexão conta com um espaço de acolhimento, onde ele está localizado e como solicitar atendimento. Essas orientações ajudam no planejamento da viagem e reduzem a incerteza em uma etapa marcada por procedimentos e mudanças de ambiente.
Como a divulgação oficial confirmou a expansão, mas não apresentou, na informação disponível para esta matéria, o funcionamento individual de cada unidade, o passageiro deve buscar orientações diretamente com o aeroporto ou com os canais oficiais responsáveis pelo terminal antes do deslocamento. Essa verificação pode ser especialmente relevante em viagens com conexões, quando o viajante passa por mais de um aeroporto.
Uma agenda de inclusão no transporte aéreo
A expansão dos espaços multissensoriais coloca a acessibilidade no centro da discussão sobre qualidade dos serviços aeroportuários. O tema amplia o entendimento de que uma viagem adequada não depende somente da segurança operacional e da eficiência do embarque, mas também da capacidade de receber públicos com necessidades distintas.
Com as novas estruturas em Belém e Salvador, o Brasil passa a contar com 23 espaços de acolhimento em 20 aeroportos, segundo o Ministério de Portos e Aeroportos. O próximo desafio é garantir que os passageiros conheçam essa possibilidade e encontrem informações claras sobre o atendimento. Para quem enfrenta maior sensibilidade aos estímulos do terminal, saber que existe um ambiente de apoio pode fazer diferença desde o planejamento até o momento de embarcar.

