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Cuidar sem infantilizar: O equilíbrio que famílias precisam, segundo o Doutor Yuri Silva Portela

Yuri Silva Portela

Cuidar de uma pessoa idosa pode exigir mudanças na rotina familiar, principalmente quando surgem limitações de mobilidade, memória ou outras necessidades de assistência. Yuri Silva Portela, sendo pós-graduado em geriatria, chama atenção para um ponto que nem sempre é percebido: proteger não significa retirar do idoso a possibilidade de decidir e participar da própria vida. Encontrar esse equilíbrio é importante para oferecer apoio sem transformar o cuidado em controle.

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Veja com o Doutor Yuri Silva Portela por que proteger demais pode ser prejudicial

Quando um familiar começa a apresentar alguma dificuldade, é comum que os demais assumam tarefas para evitar riscos. Preparar refeições, organizar medicamentos, escolher roupas ou resolver compromissos podem parecer pequenas ajudas, mas fazer tudo pela pessoa pode reduzir sua participação na rotina. Antes de assumir uma tarefa, a família pode observar se existe uma dificuldade real ou se uma pequena adaptação já seria suficiente para permitir que o idoso continue participando.

A perda de autonomia nem sempre acontece de forma repentina. Em algumas situações, ela começa quando atividades que ainda poderiam ser realizadas pelo idoso deixam de fazer parte do seu cotidiano. Com menos oportunidades de se movimentar, escolher e executar tarefas, a dependência pode aumentar gradualmente. Manter atividades compatíveis com suas capacidades ajuda a preservar o envolvimento na rotina e permite acompanhar possíveis mudanças na funcionalidade.

Conforme sustenta o Doutor Yuri Silva Portela, isso não significa que a família deva deixar de ajudar. O ponto é compreender quais atividades realmente exigem assistência e quais podem continuar sendo realizadas com segurança. O cuidado adequado acompanha as capacidades existentes em vez de substituí-las automaticamente. Quando a ajuda é oferecida de maneira proporcional à necessidade, é possível proteger o idoso sem retirar dele responsabilidades que ainda consegue desempenhar.

Como diferenciar cuidado de infantilização?

Infantilizar significa tratar um adulto como se não tivesse capacidade de compreender, escolher ou participar de decisões simplesmente por ser idoso. Falar com diminutivos, decidir tudo sem consultá-lo ou conversar apenas com o cuidador, mesmo quando ele pode responder, são atitudes que podem diminuir sua participação. Esse comportamento pode transmitir a ideia de que envelhecer significa perder automaticamente a capacidade de decidir sobre a própria vida.

Yuri Silva Portela
Yuri Silva Portela

De acordo com o Doutor Yuri Silva Portela, a comunicação é um dos primeiros lugares em que essa diferença aparece. O idoso deve receber explicações sobre mudanças na rotina, consultas, medicamentos e adaptações que afetem sua vida. Mesmo quando precisa de ajuda, continua sendo uma pessoa com preferências, experiências e opiniões. Dar espaço para que ele faça perguntas e manifeste suas escolhas contribui para que o cuidado seja construído com sua participação.

Até onde a família deve interferir?

A intervenção familiar precisa levar em conta o risco envolvido em cada atividade. Se determinada tarefa apresenta perigo significativo, buscar uma alternativa mais segura pode ser necessário. Porém, quando existe apenas uma dificuldade que pode ser resolvida com adaptação, retirar completamente a atividade pode ser uma medida excessiva. Avaliar a situação individualmente ajuda a evitar tanto a exposição desnecessária a riscos quanto a restrição de atividades que ainda podem ser realizadas.

Uma possibilidade é modificar a maneira como a tarefa é realizada. Uma pessoa que tem dificuldade para caminhar até determinado ambiente pode precisar de uma adaptação no espaço, por exemplo, e não necessariamente deixar de circular pela casa. Assim, a solução procura reduzir o risco sem eliminar a atividade. Recursos de apoio, reorganização dos móveis e mudanças na disposição dos objetos podem facilitar a execução sem retirar completamente a autonomia.

Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, esse raciocínio também vale para decisões cotidianas. A família pode oferecer opções, explicar consequências e ajudar quando necessário, mas deve evitar assumir automaticamente o controle. O objetivo do cuidado é proporcionar segurança sem transformar cada escolha em uma decisão tomada por terceiros. Respeitar a capacidade de decisão do idoso permite que a assistência seja oferecida como suporte, e não como substituição permanente de sua vontade.