A Polícia Rodoviária Federal lidera a criação de uma rede internacional voltada à segurança das rotas logísticas na América do Sul. Identificada pela instituição como Red CORSEL, a iniciativa foi aprovada por unanimidade no âmbito da Comunidade de Polícias das Américas (AMERIPOL) e deverá reunir instituições de segurança dos países do continente.
O objetivo é ampliar a cooperação contra ameaças que afetam o transporte de mercadorias e a circulação de pessoas em corredores de integração regional. A proposta envolve o compartilhamento de informações, o uso de tecnologia, a capacitação conjunta e a adoção de procedimentos coordenados contra organizações criminosas com atuação transnacional.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a rede deverá abranger rotas utilizadas por diferentes modais de transporte. Estão incluídos corredores rodoviários, ferroviários, fluviais, marítimos e aeroportuários, o que amplia o alcance da iniciativa para além da fiscalização em estradas.
Cooperação contra crimes que atingem a logística
Entre os problemas citados pela PRF estão o roubo de cargas, o tráfico de drogas e armas, o contrabando, a lavagem de dinheiro e o tráfico de pessoas. Essas atividades podem comprometer a continuidade dos fluxos de transporte, elevar custos para empresas e seguradoras e gerar riscos para motoristas, equipes operacionais e demais trabalhadores envolvidos na cadeia logística.
A segurança das rotas logísticas passou a ser tratada, nesse contexto, como parte da eficiência do transporte. Uma interrupção provocada por ações criminosas pode afetar prazos de entrega, alterar itinerários e dificultar a integração entre rodovias, ferrovias, portos, terminais fluviais e aeroportos. A cooperação entre países busca reduzir essas vulnerabilidades em corredores que conectam diferentes territórios sul-americanos.
A iniciativa também se relaciona às chamadas rotas bioceânicas, que dependem da articulação entre modais e fronteiras para ligar áreas produtoras, centros de distribuição e mercados consumidores. A atuação coordenada das forças de segurança pode contribuir para uma resposta mais rápida quando a ameaça ultrapassa os limites de um único país ou envolve redes criminosas com estruturas distribuídas regionalmente.
Rede deve integrar inteligência e tecnologia
Segundo a PRF, a Red CORSEL deverá estimular o intercâmbio de inteligência e de boas práticas entre as instituições participantes. A ideia é permitir que informações relevantes sobre padrões criminosos, movimentação de cargas e riscos identificados nos corredores sejam compartilhadas de forma mais organizada entre os países.
O sistema Alerta Brasil foi citado pela corporação como uma das ferramentas relacionadas ao esforço de cooperação. A proposta também prevê capacitação conjunta e desenvolvimento de protocolos coordenados, com o propósito de melhorar a prevenção e a resposta a crimes que impactam o transporte internacional.
Na prática, a integração pode aproximar áreas que normalmente atuam em diferentes pontos da cadeia logística. Órgãos responsáveis pela fiscalização de rodovias, fronteiras e terminais poderão trocar referências operacionais e experiências sobre abordagens, análise de risco e proteção de cargas. A pauta, no entanto, está concentrada na criação da rede e não detalha um cronograma de implantação ou metas operacionais específicas.
Decisão foi aprovada no âmbito da AMERIPOL
A aprovação ocorreu durante a V Cúpula Extraordinária da AMERIPOL, realizada em 8 de setembro de 2026. Em publicação institucional, a Comunidade de Polícias das Américas registrou a criação da rede no contexto da cooperação policial regional.
Há uma diferença de grafia entre os materiais consultados: a página da AMERIPOL utiliza a forma “Red CORCEL”, enquanto a comunicação oficial da Polícia Rodoviária Federal adota “Red CORSEL”. Nesta matéria, é priorizada a denominação usada pela PRF, instituição que lidera a proposta.
O anúncio da PRF foi publicado em 14 de setembro de 2026. A partir da aprovação, a rede deverá funcionar como um espaço de articulação entre autoridades policiais e instituições de segurança interessadas em proteger os corredores logísticos das Américas.
Para a aviação civil e os demais setores de transporte, o tema é relevante porque a segurança de um corredor depende da conexão entre diferentes etapas da operação. Cargas que passam por aeroportos, portos, ferrovias e rodovias podem ser expostas a riscos em mais de um território. A criação de mecanismos de cooperação internacional busca, portanto, reforçar a continuidade dos fluxos e a capacidade de resposta diante do crime organizado transnacional.

