A Embraer encerrou o terceiro trimestre de 2026 com uma carteira de pedidos avaliada em US$ 35,7 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O resultado foi divulgado em 23 de outubro e representa crescimento de 3% em relação ao trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período de 2025, a alta chegou a 14%, segundo comunicado publicado pela Embraer.
O desempenho reúne contratos de diferentes áreas de atuação da fabricante brasileira, mas a aviação comercial teve participação relevante no avanço. A carteira desse segmento alcançou US$ 15,8 bilhões no período, com alta de 5% sobre o segundo trimestre de 2026 e de 4% na comparação anual. O resultado reforça o peso dos jatos comerciais no desempenho recente da empresa.
Família E2 concentra novos negócios
Entre julho e setembro, a Embraer registrou 36 pedidos firmes e 30 direitos ou opções de compra para aeronaves da família E2. Esses números não representam todos o mesmo nível de compromisso comercial: pedidos firmes correspondem a encomendas contratadas, enquanto opções e direitos de compra dependem de uma decisão posterior do cliente.
A distinção é importante para interpretar o tamanho da carteira. Os US$ 35,7 bilhões divulgados pela empresa incluem negócios registrados conforme os critérios comerciais da companhia, mas direitos e opções não significam necessariamente que todas as aeronaves serão produzidas ou entregues. Ainda assim, o volume anunciado indica uma posição comercial fortalecida para a linha E2.
Um dos principais acordos do trimestre foi firmado com o Grupo Abra. O negócio envolve 20 jatos E195-E2 em pedidos firmes, além de 10 opções e 15 direitos de compra. Considerando todas as possibilidades previstas no acordo, o grupo poderá chegar a um total de 45 aeronaves da família.
A Binter também ampliou sua relação com a fabricante brasileira. A companhia aérea encomendou cinco E195-E2 adicionais e recebeu quatro novos direitos de compra. O contrato combina aeronaves já solicitadas com possibilidades de aquisição futura, mantendo a separação entre compromissos firmes e eventuais ampliações da frota.
Aviação comercial chega a US$ 15,8 bilhões
O crescimento da carteira comercial ocorre em um mercado no qual as empresas aéreas precisam ajustar capacidade, frequência e composição de frota à demanda de cada rota. Nesse cenário, aeronaves de capacidade intermediária podem atender operações que não justificam o uso de aviões maiores, ao mesmo tempo em que ampliam as alternativas de planejamento para as companhias.
O E195-E2 aparece como o principal modelo citado nos negócios divulgados para o trimestre. A concentração de pedidos e direitos de compra nessa aeronave mostra a relevância da família E2 para a carteira comercial da Embraer e para a estratégia de expansão de clientes como o Grupo Abra e a Binter.
Para a fabricante, uma carteira de pedidos maior oferece visibilidade sobre a demanda futura e organiza o planejamento industrial. Para as companhias aéreas, novas encomendas representam instrumentos para estruturar a renovação ou o crescimento de suas frotas. A concretização desses planos, porém, depende do tipo de contrato: pedidos firmes têm natureza diferente de opções e direitos de compra.
Recorde amplia visibilidade para a fabricante
O novo recorde de US$ 35,7 bilhões coloca a Embraer em uma posição comercial mais robusta no encerramento do terceiro trimestre de 2026. O crescimento trimestral e anual ocorreu junto com a expansão da carteira de aviação comercial, que somou US$ 15,8 bilhões no período.
Os dados divulgados pela empresa não equivalem ao número de aeronaves que serão entregues imediatamente. A carteira expressa o valor dos negócios registrados, enquanto o cronograma de produção e entrega depende dos contratos firmes e da evolução de cada programa de compra. Por isso, o resultado deve ser lido como um indicador da demanda contratada e potencial acumulada pela fabricante.
Com os acordos anunciados no terceiro trimestre, a família E2 manteve papel central na carteira de pedidos da Embraer. O desempenho do período combina encomendas firmes e possibilidades de compra, com destaque para os negócios do Grupo Abra e da Binter, e estabelece um novo patamar histórico para a carteira total da companhia.

