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Embraer chega ao Farnborough Airshow 2026 com recorde de entregas e contratos internacionais

Fabricante brasileira soma 109 aeronaves entregues no primeiro semestre e amplia presença global com o KC-390 Millennium em negociações fora do Brasil

A Embraer embarca para o Farnborough International Airshow 2026, um dos maiores salões aeronáuticos do mundo, realizado entre os dias 20 e 24 de julho na Inglaterra, em um momento considerado o mais favorável dos últimos anos para a fabricante brasileira. A companhia chega ao evento com 109 aeronaves entregues no primeiro semestre deste ano, um crescimento de cerca de 20% em relação ao mesmo período de 2025, além de uma carteira de pedidos em nível recorde. Para quem acompanha o setor aeronáutico global, a pergunta natural é: o que esse desempenho significa para a posição da Embraer diante de gigantes como Boeing e Airbus? E quais negócios internacionais podem ser fechados durante o salão britânico?

Recorde de entregas em 16 anos

Segundo dados divulgados pela companhia, a Embraer entregou 65 aeronaves no segundo trimestre de 2026, um avanço de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior e o melhor resultado da empresa para um segundo trimestre nos últimos 16 anos. Na comparação com os três primeiros meses deste ano, o crescimento foi ainda mais expressivo, de 48%. No acumulado do primeiro semestre, a fabricante brasileira somou 109 aeronaves entregues, um aumento de aproximadamente 20% frente às 91 unidades registradas no mesmo intervalo de 2025.

A aviação executiva foi a principal responsável por esse resultado, com 45 jatos entregues no trimestre, um crescimento de 18% na comparação anual. Já a divisão comercial entregou 20 aeronaves no período, incluindo seis unidades do modelo E195-E2, atualmente o maior jato da Embraer em produção nessa categoria. A divisão de Defesa e Segurança não registrou entregas no trimestre, diferentemente do mesmo período do ano passado, quando a empresa havia entregue quatro unidades do A-29 Super Tucano. Para 2026, a companhia mantém a projeção de entregar entre 80 e 85 aeronaves comerciais e entre 160 e 170 jatos executivos.

Bancos como JPMorgan, Itaú BBA, BTG Pactual e Bradesco BBI classificaram o resultado como positivo, destacando que as entregas do segundo trimestre superaram as próprias estimativas dessas instituições. Segundo o JPMorgan, a distribuição das entregas ao longo do ano está ficando menos concentrada no quarto trimestre, um sinal de maior eficiência na estratégia de nivelamento de produção que a Embraer vem aplicando desde 2024. Esse tipo de avaliação por parte do mercado financeiro reforça a percepção de que a recuperação operacional da fabricante brasileira é consistente e não apenas pontual.

Presença internacional em alta no Farnborough

O Farnborough International Airshow, realizado a cada dois anos em Hampshire, na Inglaterra, funciona como uma vitrine global para fabricantes de aeronaves fecharem negócios e apresentarem novos produtos a operadores de todo o mundo. A Embraer chega ao evento deste ano com uma carteira de pedidos em nível recorde, o que garante à companhia maior previsibilidade de receita para sustentar investimentos em novas campanhas comerciais e na expansão de sua rede de suporte global.

Um dos destaques da presença internacional da empresa é o KC-390 Millennium, aeronave militar de transporte que acumula mais de 60 encomendas e compromissos firmados por 11 países. Entre eles está a maior venda internacional do programa até agora: um contrato assinado em 4 de maio deste ano com os Emirados Árabes Unidos, que inclui dez pedidos firmes e dez opções adicionais, marcando a primeira venda da aeronave para o Oriente Médio. O Super Tucano, outro modelo de defesa da Embraer, soma mais de 300 unidades encomendadas por 22 forças aéreas ao redor do mundo, com 39 novos pedidos incorporados à carteira nos últimos dois anos.

Além dos programas de defesa, a Embraer também levará ao salão britânico sua subsidiária de mobilidade aérea urbana, a Eve Air Mobility, que apresentará uma maquete em tamanho real de seu eVTOL elétrico de decolagem e pouso vertical, além de um simulador de voo disponível para os visitantes. Segundo Francisco Gomes Neto, presidente e CEO da Embraer, a companhia está preparada para um crescimento sustentável, apoiado na forte demanda em todos os seus negócios, na expansão da presença global e em investimentos contínuos em eficiência e inovação.

O que esperar dos próximos meses

Para o mercado financeiro, o desempenho recente da Embraer reforça a avaliação de que a empresa negocia atualmente com desconto em relação a concorrentes internacionais. De acordo com análise do JPMorgan, a companhia é negociada a 8,1 vezes o valor da firma sobre o Ebitda projetado para 2027, um múltiplo inferior ao de rivais como Airbus, Bombardier e Boeing. Esse tipo de comparação costuma ser usado por analistas para justificar recomendações de compra para as ações da fabricante brasileira, negociadas tanto na B3 quanto na bolsa de Nova York.

Para o setor aeronáutico como um todo, o Farnborough Airshow deste ano deve funcionar como um termômetro importante para avaliar se a recuperação da cadeia de suprimentos global, que afetou fabricantes de aeronaves nos últimos anos, está de fato se consolidando. A expectativa é que, ao longo dos cinco dias de evento, a Embraer converta negociações em andamento em novos contratos, especialmente nas frentes de defesa, onde o KC-390 já desperta interesse de operadores europeus que buscam modernizar suas frotas de transporte militar.

O Farnborough International Airshow 2026 chega, portanto, como uma oportunidade estratégica para a Embraer consolidar sua posição em um momento de forte demanda global por aeronaves, tanto no segmento comercial quanto no executivo e de defesa. Os números do primeiro semestre já indicam uma trajetória de recuperação sólida, mas os próximos meses, e principalmente os dias de salão em Hampshire, devem mostrar se a fabricante brasileira consegue converter esse momento favorável em novos contratos internacionais de peso, ampliando ainda mais sua presença fora do Brasil.

Fontes consultadas: