Agência retomou 100% das atividades de certificação e exames profissionais depois de receber repasse emergencial de R$ 25 milhões do governo federal
A Agência Nacional de Aviação Civil viveu, entre o início e a metade de junho de 2026, um episódio raro em sua rotina de fiscalização. Um bloqueio orçamentário determinado pelo governo federal chegou a interromper exames de certificação para pilotos, mecânicos de manutenção e comissários de voo, gerando incerteza entre milhares de profissionais que dependiam desses processos para atuar no mercado. A dúvida que ficou no ar entre trabalhadores do setor foi direta: quanto tempo essa paralisação duraria e se a segurança dos voos comerciais estaria de alguma forma comprometida. A resposta veio de forma relativamente rápida, com a liberação de recursos adicionais e o retorno integral das atividades da agência. Este texto explica o que motivou o bloqueio, como ele afetou o dia a dia de quem trabalha ou pretende trabalhar na aviação civil brasileira, e o que já mudou com a normalização anunciada pela Anac.
Como começou o bloqueio e o que ele suspendeu
Em 1º de junho de 2026, a Anac precisou interromper parte de suas atividades em razão do bloqueio de R$ 24 milhões em seu orçamento, determinado pelo Decreto Federal nº 12.990, publicado em 29 de maio daquele ano. A medida atingiu diretamente os exames teóricos exigidos dos profissionais da aviação civil para obtenção de licenças e habilitações, aplicados em parceria com a Fundação Getúlio Vargas, que tiveram novos agendamentos suspensos a partir do dia 2 de junho. Além disso, exames de proficiência de pilotos e de mecânicos de manutenção aeronáutica passaram a ficar restritos a localidades onde havia disponibilidade de servidores da própria Anac ou de examinadores credenciados autônomos, já que o deslocamento de avaliadores para outras regiões também foi impactado pela restrição de recursos.
O contingenciamento não se limitou aos exames de profissionais. Segundo a própria agência, durante esse período foram priorizadas apenas as atividades consideradas essenciais para a aviação civil, o que significou redução em fiscalizações, certificações de aeronaves e outros processos administrativos ligados a companhias aéreas, aeroclubes, oficinas de manutenção e fabricantes de peças aeronáuticas. O episódio também levou a um anúncio inicial de desligamento de funcionários terceirizados, medida que chegou a ser adotada como parte do ajuste emergencial de custos. Apesar da gravidade da situação administrativa, a Anac reforçou publicamente que a segurança dos voos comerciais operados pelas companhias aéreas não foi afetada em nenhum momento, já que essa frente permaneceu entre as prioridades mantidas mesmo durante o período mais crítico do bloqueio.
A retomada das atividades e o que muda para o profissional
A normalização veio na sexta-feira, dia 12 de junho, quando a Anac recebeu um repasse emergencial de R$ 25 milhões, valor que superou os R$ 24 milhões que haviam sido contingenciados inicialmente. O reforço financeiro foi viabilizado pelos ministérios de Portos e Aeroportos e do Planejamento e Orçamento, e formalizado por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União. Com a recomposição, a agência anunciou o restabelecimento imediato de 100% das atividades de certificação de aeronaves e de fiscalização de todos os regulados do setor, incluindo companhias aéreas, aeroclubes, oficinas mecânicas e fabricantes de peças.
Para quem estava com provas pendentes, a notícia trouxe um alívio direto. As avaliações para certificação de pilotos, mecânicos de manutenção aeronáutica, despachantes de voo, comissários e instrutores AVSEC voltaram a ser aplicadas a partir de 15 de junho, com orientações específicas divulgadas pela própria agência para cada categoria de candidato. Outro efeito prático da normalização foi a reversão do desligamento de terceirizados que havia sido anunciado como parte do pacote de ajustes emergenciais, permitindo que esses profissionais retomassem suas funções. O episódio não foi isolado dentro do governo federal. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários também teve seu orçamento restabelecido no mesmo movimento, recebendo R$ 15 milhões após um bloqueio de R$ 14,3 milhões, o que sugere que a medida fez parte de um ajuste fiscal mais amplo entre diferentes órgãos reguladores federais, e não de uma decisão isolada voltada especificamente à aviação civil.
O episódio expõe uma fragilidade estrutural que preocupa entidades ligadas à infraestrutura nacional: a dependência de agências reguladoras de repasses orçamentários sujeitos a contingenciamentos pontuais. Associações do setor já haviam manifestado preocupação com cortes semelhantes em outros órgãos, alertando que reduções de recursos em momentos de expansão de investimentos podem gerar insegurança regulatória para empresas e profissionais. Para quem depende da Anac no dia a dia, seja para tirar uma licença, renovar uma habilitação ou operar uma aeronave, o episódio de junho serve como lembrete de que processos essenciais da aviação civil brasileira continuam vulneráveis a decisões orçamentárias tomadas fora do próprio setor.
Fontes consultadas: Agência Nacional de Aviação Civil, Poder360

