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Tecnologias de monitoramento e materiais especiais reduziram impactos da corrosão na indústria

O uso combinado de tecnologias de monitoramento e materiais especiais tem sido decisivo para reduzir os impactos da corrosão na indústria, elevando padrões de segurança e eficiência, com análise de Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Paulo Roberto Gomes Fernandes presenciou o processo da intensificação do debate sobre os prejuízos causados pela corrosão nos ambientes industriais brasileiros e o avanço de soluções tecnológicas voltadas à prevenção desse problema estrutural. À época, estudos e projetos inovadores passaram a demonstrar que o controle preventivo poderia reduzir perdas econômicas expressivas, especialmente em setores expostos a atmosferas agressivas, como o petróleo e o gás.

Dados divulgados em 2015 pela International Zinc Association (IZA), com apoio da Universidade de São Paulo, já apontavam que cerca de 4% do Produto Interno Bruto do Brasil era consumido anualmente por efeitos diretos e indiretos da corrosão, o que equivalia a mais de 200 bilhões de reais. O impacto era ainda mais severo nas regiões litorâneas, onde o desgaste dos materiais chegava a ser até 150 vezes maior do que em áreas rurais. Mesmo assim, muitas empresas ainda tratavam a corrosão apenas como um problema corretivo, agindo somente após danos já instalados.

A mudança de foco para a prevenção

Naquele contexto, começou a ganhar força a ideia de criar uma cultura de prevenção baseada em monitoramento contínuo e escolha adequada de materiais. Foi nesse cenário que iniciativas tecnológicas surgiram para atender a uma demanda clara do mercado: maior controle da qualidade atmosférica em ambientes industriais críticos.

Paulo Roberto Gomes Fernandes expõe que uma dessas iniciativas foi o desenvolvimento de sensores capazes de monitorar contaminantes corrosivos no ar, calcular taxas de corrosão e transmitir dados em tempo real para sistemas digitais de análise. A proposta era simples, mas eficaz: permitir que gestores industriais identificassem rapidamente riscos de degradação e adotassem medidas preventivas antes que equipamentos e estruturas fossem comprometidos.

Monitoramento em tempo real como diferencial

O funcionamento desses sistemas baseava-se na automação digital. Sensores instalados em pontos estratégicos captavam informações sobre a presença de agentes corrosivos, como sais e gases agressivos, comuns em regiões costeiras e áreas industriais pesadas. Esses dados eram enviados a softwares que interpretavam os resultados com base em parâmetros técnicos previamente definidos, oferecendo diagnósticos imediatos sobre a qualidade atmosférica.

Avanços em monitoramento contínuo e materiais de alto desempenho estão transformando o controle da corrosão industrial, reduzindo riscos operacionais e custos, sob a ótica de Paulo Roberto Gomes Fernandes.
Avanços em monitoramento contínuo e materiais de alto desempenho estão transformando o controle da corrosão industrial, reduzindo riscos operacionais e custos, sob a ótica de Paulo Roberto Gomes Fernandes.

Na comparação com métodos tradicionais, que exigiam coleta manual de amostras e análises laboratoriais demoradas, Paulo Roberto Gomes Fernandes percebe que o monitoramento digital em tempo real representou um salto significativo em eficiência. As indústrias passaram a contar com informações contínuas, o que facilitava decisões rápidas e reduzia a probabilidade de falhas estruturais inesperadas.

A importância dos materiais na mitigação da corrosão

Além do monitoramento, Paulo Roberto Gomes Fernandes destaca que outro ponto crítico identificado naquele período foi a escolha dos materiais utilizados nos sistemas de suporte e movimentação de grandes tubulações. Em terminais industriais próximos ao mar, especialmente nos ativos ligados à indústria de petróleo e gás, observava-se um alto índice de corrosão em roletes fabricados em aço, responsáveis por sustentar e movimentar tubulações de grande porte.

Como alternativa, passaram a ser utilizados roletes fabricados com polímeros de alta performance, desenvolvidos para resistir a ambientes agressivos e eliminar pontos críticos de corrosão. Essa substituição reduziu significativamente o desgaste dos equipamentos e aumentou a vida útil das estruturas, além de minimizar riscos operacionais associados à degradação do aço em contato constante com umidade e agentes salinos.

Setores beneficiados e impacto econômico

As soluções de monitoramento e os novos materiais passaram a beneficiar uma ampla gama de setores industriais. Entre eles estavam as indústrias de papel e celulose, petróleo e derivados, mineração, siderurgia e empresas localizadas em regiões litorâneas. Também foram contempladas organizações que lidavam com acervos sensíveis, como arquivos e centros de documentação, nos quais a corrosão e a degradação ambiental podiam comprometer equipamentos e instalações.

Na avaliação de especialistas da época, projetos desse tipo demonstraram que a pesquisa aplicada e a inovação não eram exclusividade de grandes corporações. Startups, centros de inovação e empresas especializadas conseguiram desenvolver soluções de alto impacto econômico, com potencial de aplicação tanto no mercado nacional quanto internacional.

Lições consolidadas ao longo do tempo

Paulo Roberto Gomes Fernandes nota que, passados alguns anos, ficou evidente que o enfrentamento da corrosão exigia uma abordagem integrada, combinando monitoramento contínuo, uso de materiais adequados e mudança cultural nas empresas. A experiência daquele período mostrou que investir em prevenção era mais eficiente e econômico do que lidar com falhas estruturais, paradas operacionais e custos elevados de manutenção corretiva.

Autor: Anahid Velazquez