Tiago Oliva Schietti, como empresário do setor cemiterial e funerário, ressalta que o setor funerário brasileiro vive um momento de transição que vai muito além da adoção de novas tecnologias ou da modernização de espaços físicos. O verdadeiro salto de qualidade está relacionado a um tema ainda pouco discutido nesse contexto: a governança corporativa.
Por muito tempo, esse conceito esteve associado quase exclusivamente a grandes corporações de outros segmentos, distante da realidade de cemitérios, funerárias e empresas familiares que historicamente compõem esse mercado. No entanto, a profissionalização crescente do setor tem trazido essa discussão para o centro das conversas sobre o futuro da gestão funerária no Brasil.
Continue lendo para entender por que governança e compliance estão se tornando peças fundamentais na construção de empresas funerárias mais sólidas, transparentes e preparadas para os próximos anos.
Governança corporativa em funerárias: modismo ou necessidade real?
Segundo Tiago Oliva Schietti, à primeira vista, pode parecer estranho associar termos como governança corporativa a um setor tão tradicional e familiar quanto o funerário. Muitas empresas desse segmento foram construídas ao longo de gerações, com gestão centralizada em poucas pessoas e processos baseados na confiança pessoal entre fundadores, colaboradores e clientes.
Esse modelo, apesar de ter funcionado por décadas, encontra limites quando o objetivo é crescer de forma sustentável, manter padrões de qualidade em diferentes unidades ou preparar a empresa para a sucessão entre gerações familiares. A governança corporativa surge justamente como uma resposta a esses desafios, trazendo clareza de papéis, responsabilidades e fluxos de decisão.

Compliance no setor funerário: por que esse tema deveria importar para gestores e famílias?
Quando se fala em compliance, é comum que o termo seja associado apenas a normas internas e burocracia, mas seu papel vai muito além disso. No contexto funerário, compliance está relacionado diretamente à forma como as empresas conduzem suas relações com clientes, fornecedores, colaboradores e órgãos reguladores, garantindo que práticas éticas estejam presentes em cada etapa do atendimento.
Como comenta Tiago Oliva Schietti, as famílias que escolhem uma empresa funerária estão, muitas vezes sem perceber, confiando em padrões internos que vão desde a forma como contratos são elaborados, até como informações pessoais são tratadas. Empresas que investem em compliance tendem a oferecer mais segurança jurídica e clareza nas relações estabelecidas, o que se traduz em confiança para quem está vivendo um momento delicado.
É possível unir tradição familiar e governança profissional sem perder a essência do negócio?
Um dos receios mais comuns entre empresários do setor funerário é que a adoção de práticas de governança corporativa possa descaracterizar negócios construídos ao longo de gerações, baseados em valores familiares e em relações próximas com a comunidade local. Na análise do empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Oliva Schietti, essa preocupação é compreensível, mas não condiz com a realidade observada em empresas que passaram por esse processo de transição.
A governança não substitui a essência familiar de um negócio; ela organiza essa essência de forma que possa ser preservada mesmo diante de mudanças de gestão, crescimento ou entrada de novas gerações. Conselhos consultivos, políticas internas claras e definição de papéis ajudam a evitar conflitos que, sem esse tipo de estrutura, costumam surgir naturalmente em empresas familiares.
Gestão funerária do futuro: o que esperar para os próximos anos
À medida que o setor funerário brasileiro continua se profissionalizando, é provável que práticas de governança corporativa e compliance deixem de ser exclusividade de grandes grupos e passem a fazer parte da realidade de empresas de diferentes portes. Esse movimento tende a ser impulsionado tanto por exigências regulatórias quanto pela própria mudança de expectativa dos consumidores.
Tiago Oliva Schietti conclui que a tendência é que a gestão funerária se aproxime ainda mais de modelos adotados em outros setores de serviços, com foco em transparência, qualidade no atendimento e responsabilidade nas relações estabelecidas com clientes e parceiros. Esse processo não acontece de forma abrupta, mas sim por meio de pequenas mudanças estruturais que, somadas, transformam significativamente a forma como essas empresas operam.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

