Uma reportagem recente do jornal O Globo mostrou que o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, utilizou aeronaves oficiais do estado em deslocamentos que coincidem com atividades de sua pré-campanha à Presidência da República em 2026. O repórter da publicação detalhou em vídeo como analisou dados públicos e o Portal da Transparência para identificar viagens que teriam sido custeadas pelo erário estadual em eventos políticos, mesmo quando o conteúdo principal da agenda estava ligado a compromissos partidários ou de pré-campanha.
A matéria revela que, em alguns casos, as datas e os destinos dos voos oficiais correspondem a compromissos do partido Novo ou eventos eleitorais em outras localidades, levantando questionamentos sobre a linha que separa o uso institucional de aeronaves públicas e deslocamentos com finalidade político-eleitoral. Dados analisados apontam que os gastos com combustível de aviação pelo gabinete de Zema bateram recorde, superando valores observados em anos eleitorais anteriores.
O vídeo produzido pelo repórter mostra a sequência de passos usados na apuração, incluindo a coleta e a interpretação de informações disponibilizadas por meio de portais públicos, o cruzamento de horários de eventos e os registros oficiais de voos. Essa abordagem ilustra como veículos de imprensa podem utilizar dados públicos para investigar o uso de recursos públicos em períodos de pré-campanha e antecipar irregularidades ou dúvidas sobre o cumprimento das normas eleitorais.
A repercussão da matéria gerou respostas de parlamentares da oposição em Minas Gerais, que acionaram o Tribunal de Contas do Estado (TCE-MG) e o Ministério Público para apurar possíveis irregularidades no uso das aeronaves oficiais em agendas que teriam ligação com a pré-campanha de Zema. Essas representações argumentam que pode haver desvio de finalidade no uso do bem público e até abuso de poder político e econômico.
O governo de Minas defende que o uso das aeronaves oficiais segue normas legais existentes, citando decretos que permitem deslocamentos por motivos de segurança ou agenda institucional contínua, e que alguns compromissos considerados partidários teriam conexão com atividades de cunho oficial ou de interesse do estado.
No contexto político mais amplo, a investigação ocorre em meio à construção da pré-candidatura presidencial de Zema e à ampliação da sua visibilidade em eventos nacionais, o que tem levado opositores a questionar a legalidade e a ética de deslocamentos custeados pelo estado em período pré-eleitoral.
A reportagem também destaca que a linha entre uma agenda oficial e um compromisso político nem sempre é clara, e que a transparência no uso de bens públicos é um tema sensível especialmente em anos eleitorais, com órgãos de controle atentos a possíveis abusos.
Autor: Anahid Velazquez

