Pesquisadores chineses estão trabalhando em uma tecnologia inovadora que promete aumentar significativamente a velocidade das aeronaves bombardeiras em desenvolvimento para a Força Aérea do país, segundo informações divulgadas recentemente. A proposta técnica visa resolver limitações clássicas de velocidade em aeronaves de grande porte, que normalmente enfrentam fenômenos aerodinâmicos que restringem seus voos a velocidades subsônicas.
O foco do desenvolvimento é um sistema ativo de supressão de vibrações estruturais nas asas das aeronaves. Essas vibrações — chamadas de acoplamento rígido-elástico — ocorrem quando grandes asas são submetidas a fluxos de ar em altas velocidades, limitando a performance e a estabilidade do avião. A nova tecnologia, segundo os pesquisadores, permitiria reduzir ou interromper essas vibrações, elevando a velocidade segura que essas asas podem suportar em cerca de 62,5 %, o que representaria um avanço recorde na categoria.
Esse sistema utiliza sensores já presentes nas aeronaves para monitorar em tempo real as condições de voo e antecipar a formação das vibrações indesejadas. Ao detectar esse comportamento, o algoritmo de controle ajusta automaticamente pequenas mudanças na direção ou na configuração das superfícies de controle, alterando o fluxo de ar e reduzindo o impacto das vibrações. A abordagem dispensa componentes extras de hardware, apoiando-se em capacidades de sensores e sistemas de controle existentes.
Embora o desenvolvimento tenha sido divulgado em contexto militar, detalhes sobre a integração dessa solução em aeronaves específicas ainda são escassos. Um dos projetos citados em discussões anteriores sobre bombardeiros chineses é o modelo H-20 — um bombardeiro estratégico de longo alcance em desenvolvimento para a Força Aérea do país — mas ainda não há confirmações oficiais sobre a aplicação da nova tecnologia nesse ou em outros vetores.
A China busca modernizar sua aviação militar em meio a uma competição tecnológica global que envolve não só velocidade e alcance de aeronaves, mas também furtividade, sensores avançados e integração com sistemas eletrônicos e de inteligência artificial. Relatórios de imprensa internacional têm destacado outros avanços no setor aéreo chinês, como a evolução de caças de sexta geração e melhorias em aviônicos e capacidade operacional.
A ambição de aumentar a velocidade de bombardeiros estratégicos faria parte de um esforço mais amplo de Pequim para fortalecer capacidades de dissuasão e projeção de poder além de suas fronteiras imediatas. Em paralelo a esse trabalho, há pesquisas na China sobre outras tecnologias de alta performance aerodinâmica, incluindo esforços em propulsão hipersônica e inteligência artificial aplicada a sistemas de defesa.
Especialistas em aviação observam que tecnologias que aumentam a velocidade e a eficiência de aeronaves têm impacto direto não apenas na capacidade militar, mas também em aspectos logísticos e estratégicos das forças armadas, pois permitem maior alcance em menor tempo. Esse tipo de avanço coloca a China em um patamar competitivo com outras potências que também investem pesado em aviação de próxima geração.
Por fim, ainda que os detalhes técnicos e cronogramas de implementação não tenham sido amplamente divulgados, a divulgação da pesquisa indica uma tendência de crescimento contínuo da indústria aeroespacial chinesa e de seus investimentos em tecnologia de ponta voltada à defesa e à mobilidade.
Autor: Anahid Velazquez

